quarta-feira, 29 de junho de 2016

Estrutura do Verso - Ritmo e Verso

1. Examinaremos estes versos do poeta Cruz e Sousa:
Vai, Peregrino do caminho santo,
Faz da tu'alma lâmpada do cego,
Iluminando, pego sobre pego,
As invisíveis amplidões do Pranto.

Verificamos que as sílabas tônicas, marcadas em itálico, se repetem depois de uma, duas ou três sílabas tônicas. Esta sucessão de sílabas fortes e fracas, com intervalos regulares, ou não muito espaçados (para que a reiteração possa ser esperada e sentida pelo nosso ouvido), é uma fonte do prazer a que chamamos  de RITMO.

2. A contiguidade (proximidade) de sílabas tônicas prejudica o RITMO e, consequentemente, desagrada ao ouvido. Por isso, a sílaba anterior à última tônica é necessariamente átona. Tão forte é esta exigência rítmica que, mesmo sendo tônica no vocábulo  isolado, ela se atonifica pela posição. Por exemplo, nestes dissílabos de Casimiro de Abreu,
Tu ontem
Na dança,
Que cansa,
Voavas...

o pronome tu, monossílabo tônico, sofre uma deflexão de pronúncia, no primeiro verso, por ser obrigatoriamente acentuado, como sílaba final do verso, o -õ  de ontem, que lhe está contíguo (muito próximo).

3. O ritmo é o elemento essencial do verso, pois este se caracteriza, em última análise, por ser o período rítmico que se agrupa em séries numa composição poética. Quando tais períodos rítmicos apresentam o mesmo número de sílabas em todo poema, a versificação diz-se regular. Se não há igualdade silábica entre eles, a versificação é irregular ou livre.


FONTE: 
Cunha,Celso, 1917-1989
Gramática do Português contemporâneo: edição 
de bolso/ Celso Cunha; organização Cilene da Cunha Pereira- Rio de Janeiro; Lexikon; Porto Alegre, RS

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